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Mudanças do Transplante de Medula Óssea podem revolucionar tratamento de pessoas com Leucemia

14 agosto 2017

O hematologista Nelson Hamerschlak é um dos principais nomes brasileiros na área. O especialista coordena o departamento de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Albert Einstein. Com 40 anos de experiência, Hamerschlak é um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea e presidente do Congresso da SBTMO de 2017. Nessa entrevista, o médico falou sobre os temas do TMO na atualidade.

1 – O que podemos esperar desta edição do Congresso?

O SBTMO 2017 já possui cerca de 1.000 inscritos, além de mais de 300 trabalhos científicos na área de transplante de medula óssea. Promoveremos a troca de experiência entre especialistas da área e muita ciência, já que receberemos 25 convidados estrangeiros para as palestras.

2 – Entre os principais temas abordados neste ano, há o transplante haploidênticos de células tronco. Qual o panorama e o futuro desse tipo de transplante no Brasil?

O transplante haploidêntico é aquele realizado por doadores familiares parcialmente compatíveis, geralmente 50% de similaridade. Isto significa que, virtualmente, não há chances de uma pessoa necessitar de um transplante e não possuir doador compatível. Caso esse indivíduo não possua um doador familiar em 100%, ele poderá contar com o transplante de um indivíduo não aparentado em bancos de registro e cordão umbilical. Apenas no Brasil, o Registro Nacional de Voluntários de Medula Óssea possui mais de 4 milhões de pessoas cadastradas.

Aqui no Brasil, essa técnica é realizada desde 2007 e, inclusive, temos contribuído com a literatura mundial com publicações em revistas científicas de alto impacto. No Congresso, nós traremos isso em um debate sobre transplante haploidentico – não aparentado e aparentado. O que podemos ponderar é que os resultados obtidos até o momento são promissores.

3 – É uma tendência entre diversas instituições médicas dos EUA e Europa, um sistema integrado com informações sobre doadores e pacientes, uma espécie de “Big Data” de medula óssea. Quais benefícios trariam para profissionais de saúde e pacientes?

De uma forma geral, os dados epidemiológicos de desfecho e estatísticas sobre o assunto são precários no Brasil. Na área de transplantes de medula óssea, é possível termos uma ideia de número e modalidades, não são exatos e não temos dados de desfechos. O Centro Internacional de Registros de Transplantes de Medula Óssea recebe dados de apenas 7 dos quase 70 centros de transplantes registrados no País. Nos Estados Unidos e Europa, faz-se obrigatório para a obtenção de certificados de qualidade, planejamento, análise de desfechos e produção científica. Durante o Congresso, queremos discutir, com autoridades no assunto, sobre como otimizar a coleta de dados e a participação em processos de benchmarking e coleta de dados científicos.

4 – No Congresso, haverá uma palestra justamente sobre este tema com a Dra. Janet Brunner-Grady. Como isso será abordado para a realidade brasileira? O que é preciso ser feito para que instituições privadas e públicas tenham bancos de dados com essas informações sobre pacientes e doadores de medula óssea?

A principal figura nesta ação é do gerenciador de dados (data manager). Trata-se de indivíduos preparados para coletar informações e disponibiliza-las em formulários e planilhas. É um investimento importante a ser feito nos centros de transplantes e que requer um suporte financeiro. No entanto, só isso não basta. Temos que viver a cultura de boas informações. Os dirigentes desses centros e as autoridades da área se convençam de que isto é importante. Podemos ver boas iniciativas no Brasil quando olhamos para o nosso registro de doadores de medula óssea, que é o terceiro do mundo e hoje participa da troca de células entre diversos países, beneficiando brasileiros e estrangeiros.

5 – Um tema que repercutiu recentemente foi a recomendação para o tratamento de LLA com células geneticamente modificadas, que foi aprovado em um painel da FDA (Food And Drug Administration). Quais as mudanças desse tratamento em relação à TMO e para os pacientes?

A tecnologia de células geneticamente modificadas foi uma das maiores conquistas na área oncológica já obtida. Os resultados em leucemia linfoide aguda já estão adiantados e são expressivos. Novas pesquisas mostram seu papel em outras doenças como leucemia linfocítica crônica, linfomas, leucemia mieloide aguda e mieloma múltiplo. Em algumas situações pode ser substitutiva ao transplante de medula óssea convencional, em outras pode ser usado antes ou depois do tratamento.

A própria técnica de utilização é semelhante a de um transplante. Há um preparo antes com quimioterapia e a infusão das células modificadas. Existem também complicações específicas. Sua utilização é geralmente adotada em centros de transplante de medula óssea.

6 – Haverá um painel justamente sobre esse tipo de tratamento, que é novo e experimental. Há a possibilidade de, no futuro, trazê-lo para o Brasil?

Sim. No Brasil, já existem centros que desenvolvem estudos nesta área “in vitro” ou em animais. Transpor isso para o ambiente chamado Good Manufactoring Practices(GMP) não é fácil. Isso depende de estrutura adequada e pessoas treinadas. Algumas instituições brasileiras já estão trabalhando nesse sentido, porém não é uma incorporação fácil. Indústrias farmacêuticas compraram as patentes de universidades americanas e europeias e devem disponibilizar a técnica para que tão logo, os problemas logísticos possam ser resolvidos. Torço para que o Brasil tenha acesso rápido a essa tecnologia.

7 – Haverá a 4º Reunião sobre diretrizes brasileiras em transplante de células tronco hematopoéticas. Este ano, qual será o tema principal do Consenso e o qual a integração com a Agência Nacional de Saúde e o Ministério da Saúde?

Desde 2009, a SBTMO realiza reuniões de Consenso, com a presença de delegados de todos os centros de transplante brasileiros. Eles se reúnem, com dados de evidência clínica comprovada e recomendam as principais indicações, modalidades e manuseio de complicações do transplante de medula óssea. Apesar da grande queixa do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde sobre a necessidade de protocolos baseados em evidência para aprovação de novas indicações e medicamentos, geral, as indicações do Consenso não são aproveitadas como deveria ou demoram muito para ter suas sugestões incorporadas.

Como por exemplo, a anemia falciforme, que levou muito para aceitarem a indicação de transplante ou medicamentos imunossupressores para doença do enxerto versus hospedeiro se tornarem disponíveis, além de alguns antivirais e antifúngicos. Transplantes em idosos e em doenças autoimunes ainda não são previstos, apesar de ser rotina em outros países.

8 – Para encerrar, qual é o futuro do transplante de medula óssea? É tendência reduzir o procedimento com base em remédios mais eficientes e tratamentos menos invasivos ou melhorar a forma como é feito o transplante com base no avanço tecnológico?

Provavelmente, o transplante de medula óssea da forma como é hoje em dia deve evoluir para terapia gênica e para métodos menos agressivos. Essa é a tendência que temos observado. Nós temos mais segurança de um transplante por conta de novas técnicas, drogas e métodos que geram ou previnem as principais complicações e essa tendência deve ser ampliada. Técnicas como CAR T Cell, CRISPR e modificação de células com vetores virais devem, em um médio prazo, se tornar modos rotineiros de transplantar.

 

Fonte: www.sbtmo.org.br

 

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